Acusada de plágio, grife Farm reconhece erro e recolhe colar de lojas

Era uma vez um lindo colar com design inovador que estampava vitrines e o site de uma conhecida rede de lojas de roupas e acessórios do Rio. Olhando com um pouco mais de atenção, no entanto, percebe-se que há pouca inovação: seu desenho é igual a um colar lançado quase quatro anos antes, na mesma cidade.

A rede de lojas Farm e o designer de joias Willian Farias são os protagonistas da mais nova polêmica entre o que é referência e o que é cópia no mundo da moda. Em notificação extrajudicial enviada em 24 de julho, Willian Farias acusa a Farm de plágio por se apropriar do design de seu colar Trapézio 3D. E pede a retirada do item das lojas e indenização pela dano à imagem. Na Farm, a peça se chama colar cubo e é vendida a R$ 69. Na multimarcas Dona Coisa, o colar de Willian Farias fabricado com ouro amarelo sai a R$ 3.635.

“Uma amiga me ligou perguntando se eu tinha feito uma parceria com a Farm, já que viu um colar igual ao meu na loja. E eu sabia que a fundadora da Farm, Katia Ferreira de Barros, tinha comprado um colar Trapézio 3D em 2011 da Dona Coisa”, conta o designer.

Farias comprou uma peça na Farm e afirma que a única diferença é o material: enquanto o dele é feito com ouro, o material do outro é latão. “É a mesma espessura do fio, o mesmo tipo de corrente, o mesmo tamanho. Sou um criador e quero que meu trabalho seja respeitado” completa Farias, que está disposto a ir à Justiça.

Para o sócio do escritório de advocacia Dannemann Siemsen Alvaro Loureiro Oliveira, que representa o designer no caso, o colar é uma reprodução:

“Há uma distância entre seguir uma tendência e copiar. Neste caso, não há o que discutir, a peça é igual.”

Até a noite de quarta-feira, a Farm não tinha respondido à notificação extrajudicial. Procurada pelo GLOBO, a loja se desculpou:

“A Farm reconhece seu erro de cópia que, em função de seu enorme volume de produtos, não conseguiu garantir que o colar fosse apenas uma inspiração. A marca pede desculpas ao designer e em respeito ao seu trabalho solicitou prontamente o recolhimento do produto” disse a empresa, em nota. No fim da tarde, a peça já tinha sido retirada do site da Farm.

“Mesmo com a profissionalização do mercado da moda, as cópias ainda são uma prática comum” explica o coordenador do curso de Moda da Faap, Ivan Bismara.

Sócia do escritório TozziniFreire Advogados, Andreia de Andrade Gomes sugere que os autores registrem suas criações como primeiro passo para evitar o plágio. O registro de marca é feito no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). Há ainda o registro o de direito de autor. No caso de joias, este é feito pela Escola Nacional de Belas Artes.

Fonte: Correio 24 Horas

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